Comecemos com uma pergunta. Se quer poupar para viajar e ganha numa moeda mas gasta noutra, em que moeda deve poupar, quando deve converter e como garante que o dinheiro que põe de parte hoje vale o que espera quando chegar ao destino?
Pense, por exemplo, num freelancer que fatura a clientes em USD e em euros, num trabalhador remoto que recebe em GBP enquanto vive no estrangeiro ou num indiano não residente (NRI) com rendimentos de vários países. Para todas estas pessoas, o conselho habitual de «abrir uma conta poupança e criar uma transferência periódica» não serve bem. A questão da moeda vem primeiro. Pode fazer tudo o resto bem, poupar com regularidade, atingir o valor que definiu e, mesmo assim, chegar com menos poder de compra do que planeou, porque a conversão aconteceu na altura errada, com o fornecedor errado ou no sentido errado.
Neste artigo, explico como poupar para viajar quando o seu rendimento chega em mais do que uma moeda: como definir um objetivo realista, em que moeda poupar, porque é que o momento da conversão conta e qual a forma mais simples de automatizar a poupança, para que o dinheiro cresça todos os meses sem ter de pensar nisso.
Quanto deve poupar para uma viagem?
Antes da questão da moeda, precisa de um número. Uma estimativa por alto, ou um valor emprestado de alguém com outro orçamento, pode ser um bom ponto de partida, mas um número baseado nos custos reais da sua viagem será muito mais útil.
Um modelo de trabalho prático tem quatro componentes: voos, alojamento, despesas diárias e uma margem de segurança.
Os voos e o alojamento são custos fixos cujo preço pode consultar antes de se comprometer a poupar. Tente usar orçamentos reais para as suas datas e destino, não médias. As despesas diárias variam mais, mas a maioria dos destinos tem valores de referência fiáveis: quanto custa uma refeição num restaurante local, quanto se gasta em transportes entre locais e quanto custam as entradas nas atrações. Para ter uma ideia rigorosa do que uma viagem concreta custa, divida as despesas reais por categoria.
Com o total definido, eis um cálculo simples que pode usar.
Objetivo ÷ meses que faltam = poupança mensal necessária
Se quer gastar 3 000 EUR numa viagem de três semanas pela Europa e faltam 10 meses para partir, precisa de pôr de parte 300 EUR por mês. Se só conseguir 200 EUR por mês, ou parte daqui a 15 meses, ou reduz o orçamento. A fórmula é a mesma, independentemente do número de moedas em que recebe.
Some uma margem de 10 a 15 % ao total estimado. Os preços mudam, as taxas de câmbio oscilam e quase todas as viagens trazem custos inesperados. Com essa margem, uma surpresa não deita o plano por terra.
Quando tiver o objetivo e o valor da contribuição mensal, a pergunta seguinte é em que moeda poupar.
Porque é que converter o dinheiro cedo demais lhe sai caro
Para quem recebe em moedas diferentes, a tentação é juntar tudo numa única moeda, a do país onde vive, e poupar nessa. É mais arrumado, sem dúvida, mas pode sair-lhe caro se converter no momento errado.
Quando converte moeda, não recebe a taxa de câmbio média do mercado (a que vê no Google). Recebe uma taxa que inclui a margem do fornecedor, normalmente de 2 a 4 % num banco tradicional. Num orçamento de viagem de 3 000 EUR convertido com uma margem de 3 %, são 90 EUR que nunca chegam ao seu fundo de viagem. Se fizer essa conversão nove meses antes de viajar, fica preso à taxa de hoje e paga a margem, sem poder beneficiar de qualquer variação do câmbio entre agora e a partida.
Para quem recebe em várias moedas, o risco tem uma camada extra: converter da moeda A para a sua moeda local e depois voltar a converter da moeda local para a moeda do destino. Cada conversão tem a sua margem. Quanto menos conversões houver entre o seu rendimento e os gastos da viagem, mais dinheiro fica consigo.
O mais prático é poupar diretamente na moeda que vai gastar, ou numa moeda estável muito ligada a ela, e converter apenas o que precisa perto da viagem. Se recebe em USD e vai ao Japão, poupar em USD e converter para JPY pouco antes da partida é mais eficiente do que converter os USD para a moeda local quando os recebe e voltar a converter antes da viagem. Se recebe em EUR e vai viajar pela Europa, poupar em EUR elimina o problema da conversão por completo. O saldo do seu fundo de viagem corresponde exatamente ao que vai ter para gastar.
Para quem tem rendimentos em várias moedas, isto significa usar uma conta multimoeda, onde o que recebe em cada moeda pode ficar na moeda original até estar pronto para converter. Pagar no estrangeiro com o cartão Grey, diretamente a partir do saldo na moeda da viagem, faz com que o dinheiro que poupou chegue ao destino como poder de compra, e não como um valor mais pequeno depois de uma conversão de última hora num balcão de câmbio.
Como poupar dinheiro para viajar quando recebe em várias moedas
Para quem tem rendimentos em mais do que uma moeda, eis um método pensado para esse desafio concreto.
- Escolha a moeda em que a viagem vai ser paga. Se o destino usa uma moeda forte (EUR, USD, GBP, JPY), poupar nessa moeda desde o início elimina uma conversão e protege-o das oscilações cambiais durante o período de poupança. Se o destino usa uma moeda menos comum, é mais prático poupar numa moeda forte e converter pouco antes de viajar.
- Decida que fonte de rendimento financia a viagem. Se recebe em várias moedas, atribua a contribuição à fonte que já está na moeda certa ou àquela cuja conversão custa menos. Se fatura a clientes norte-americanos em USD e está a poupar para uma viagem aos Estados Unidos, as contribuições vindas dos rendimentos em USD vão diretamente para o fundo de viagem, sem qualquer custo de conversão.
- Defina um objetivo numérico concreto. Não «cerca de 3 000 EUR», mas exatamente 3 000 EUR, ou o valor que o orçamento da sua viagem exigir. Um objetivo concreto permite-lhe acompanhar o progresso com clareza e saber exatamente quando o atingiu.
- Automatize uma contribuição fixa todos os meses. A automatização é o hábito de poupança mais eficaz para quem tem rendimentos irregulares ou em várias moedas, precisamente porque elimina a decisão mês a mês. Programe uma transferência recorrente a partir da conta ou do saldo em moeda que financia a viagem, sempre no mesmo dia do mês, e não a altere a menos que o seu rendimento mude de forma significativa.
- Encaminhe os rendimentos extra diretamente para o fundo da viagem. Um bónus, um pagamento inesperado de um cliente numa moeda que de outra forma ficaria parada ou um reembolso de impostos devem ir diretamente para o fundo de viagem antes de se diluírem nas despesas do dia a dia. Uma ou duas contribuições extra por ano podem encurtar bastante o tempo até atingir o objetivo.
- Reveja o objetivo se os planos ou o câmbio mudarem muito. Se os voos ficarem mais caros, se as datas mudarem ou se a taxa de câmbio entre a moeda em que ganha e a moeda em que vai gastar se alterar de forma substancial, atualize o objetivo e a contribuição. Um plano de poupança que reflete a versão atual da viagem é mais útil do que um assente em estimativas antigas.
A forma mais fácil de poupar para as férias: automatizar
O método de poupança mais fiável é o que exige menos força de vontade ao longo do tempo. Ter de decidir em que moeda contribuir, com que valor e para que conta basta para atrasar ou desviar contribuições que alguém que ganha numa só moeda faria num instante.
A automatização elimina esse atrito. Basta configurá-la para que a contribuição seja feita no dia em que recebe, na moeda certa e para o saldo certo, antes de o dinheiro ser gasto noutras coisas ou absorvido pelas despesas correntes.
As ferramentas de poupança por objetivos, em que dá um nome a um objetivo, define um valor e acompanha o progresso, acrescentam uma camada prática à simples automatização. Quando o fundo de viagem está bem identificado, tem um valor-alvo associado e está separado do saldo que usa no dia a dia, é menos provável que lhe mexa para despesas que nada têm a ver com a viagem.
Para quem recebe em várias moedas, a versão mais útil disto é um saldo por objetivo na moeda de que a viagem precisa, em vez de uma conta poupança genérica na moeda local que terá de ser convertida antes da partida. Poupar 3 000 EUR num fundo de viagem em euros, alimentado diretamente pelo que recebe de clientes em euros, significa que o saldo corresponde exatamente ao que tem para gastar, sem uma conversão no fim.
Como criar um Pouch de viagem na Grey
Com a Grey, pode criar um Pouch de viagem para pôr dinheiro de parte, definir um valor-alvo na moeda que escolher e contribuir a partir do seu saldo Grey. Para quem recebe em várias moedas, isto significa que pode criar um fundo de viagem em EUR, GBP ou USD, consoante a moeda de que a viagem precisa, identificado com o nome da viagem e com o progresso até ao objetivo sempre à vista.
Veja como o configurar:
Primeiro passo:
Abra a app Grey, vá a «Grow» e selecione a opção «Create a Pouch».
Segundo passo:
Selecione «Start saving» e escolha a moeda em que quer poupar.
Terceiro passo:
Dê um nome ao seu Pouch, por exemplo «Verão em Paris», e selecione a finalidade, neste caso «Travel». Também pode ativar os arredondamentos (round-ups), para que o troco de cada compra com cartão vá para o Pouch.
Quarto passo:
Faça a primeira contribuição. Transfira um valor inicial mínimo de 10 USD, 10 EUR ou 10 GBP a partir do seu saldo Grey na moeda correspondente.
Abra um Pouch de viagem e comece hoje a pôr dinheiro de parte.
Perguntas frequentes sobre como poupar para viajar quando recebe em moedas diferentes
Quanto devo poupar para uma viagem?
Defina o orçamento total consultando os preços dos voos e do alojamento, que são custos fixos, e estimando depois as despesas diárias com base no destino. Some 10 a 15 % como margem de segurança. Divida o total pelo número de meses que faltam para viajar e obtém o valor que precisa de poupar por mês. Uma viagem de duas semanas ao Sudeste Asiático com um orçamento médio pode exigir 2 000 a 3 000 USD no total; uma viagem semelhante à Europa Ocidental ou ao Japão custa normalmente 3 500 a 5 000 USD, ou mais. Se recebe em várias moedas, faça o orçamento na moeda em que vai gastar, não na moeda em que ganha, para evitar surpresas cambiais no fim.
Com quanta antecedência devo começar a poupar?
Seis a doze meses é um prazo razoável para a maioria das viagens. Quanto mais cedo começar, menor tem de ser cada contribuição mensal. Para quem recebe em várias moedas, começar mais cedo também dá mais margem para escolher quando converter: se está a poupar numa moeda diferente da do seu rendimento, um período de poupança mais longo significa mais oportunidades de converter a uma taxa favorável, em vez de ser obrigado a aceitar a taxa que estiver em vigor na semana antes da partida.
Devo poupar na minha moeda local ou na moeda do destino?
Para quem recebe em várias moedas, a melhor resposta é poupar na moeda que vai gastar, ou na moeda em que ganha que exige menos conversões para lá chegar. Se recebe em EUR e vai viajar pela Europa, poupe em EUR e evite a conversão por completo. Se recebe em USD e vai ao Japão, poupe em USD e converta para JPY pouco antes de viajar. Cada conversão desnecessária custa uma margem. Quanto menos conversões houver entre o seu rendimento e os gastos da viagem, mais dinheiro fica consigo.
Como evito perder dinheiro com a conversão quando recebo em várias moedas?
Use uma conta multimoeda para manter o que recebe na moeda original, em vez de converter tudo para a moeda local assim que o dinheiro chega. Quando converter, escolha um fornecedor com uma margem baixa e transparente, em vez da taxa de um banco tradicional. A comissão de conversão da Grey vai de 0 % a 1 %, consoante o par de moedas (em alguns pares, 1 % com um limite de 6 USD por transação), e a taxa é apresentada antes de confirmar. Escolha um fundo de viagem na moeda em que vai gastar, para converter apenas uma vez e no momento certo, em vez de converter repetidamente ao longo do período de poupança.
Qual é a forma mais fácil de poupar automaticamente para uma viagem quando recebo em moedas diferentes?
Se puder, programe uma transferência recorrente para um fundo de viagem dedicado, na moeda de que a viagem precisa, para ser feita no mesmo dia todos os meses. Para quem recebe em várias moedas, o essencial é decidir que saldo em moeda financia a contribuição antes de configurar a automatização, para que a transferência aconteça sem ter de tomar uma decisão todos os meses. A funcionalidade Pouches da Grey permite-lhe criar um fundo de viagem com nome numa moeda específica e contribuir a partir do seu saldo Grey, separando a poupança para a viagem das despesas do dia a dia e evitando que lhe mexa por engano.